Você já deve ter ouvido na sua família que quando se está em um relacionamento deve-se ser do outro, mas como alguém é de alguém quando não somos senhores em nossa própria morada?
A cultura que permeia nossa sociedade diz que a relação é de posse e não de escolha, mas existe uma diferença brutal entre querer estar com alguém e querer ser dono de alguém. O amor de verdade se sustenta na corda bamba: exige a coragem de encarar que o outro é um mistério imprevisível, um sujeito livre que pode ir embora a qualquer momento e que está ali, ao seu lado, porque escolheu e escolhe todos os dias.
E é justamente nessa liberdade que o desejo respira. Mas é também nessa liberdade que o medo reside e, se não elaborado, o ciúmes possessivo e a toxidade excessiva podem acabar com a relação e, até mesmo, colocar o outro, ou você, em risco.
O amor obsessivo não aguenta essa vertigem, não tolera a liberdade. Ele não quer o encontro — porque o encontro assusta, cobra presença e escancara a nossa própria vulnerabilidade. O obsessivo quer a captura.
Ele age como aquele colecionador que, de tanto medo que a borboleta voe para longe, prefere pregá-la com um alfinete no quadro da parede. A borboleta para de voar, mas morre. O relacionamento ganha a segurança do controle, mas perde a vida, perde a essência e em algum momento questionamentos como “o que ainda faço aqui?” ou “onde nos perdemos?”, surgem com afinco, pois uma relação sem individualidade sufoca.
Na clínica psicanalítica, o que a gente descobre por trás da obsessão não é “excesso de amor”, é puro pavor do desamparo. O obsessivo sequestra a liberdade do outro porque não suporta encarar o buraco que existe dentro de si.
Ele sufoca o desejo para transformar a pessoa amada em uma propriedade, em um objeto garantido na prateleira que nunca vai deixá-lo na mão.
O problema é que ninguém ama uma gaiola.
Quando você mata a liberdade de quem está ao seu lado para garantir a sua paz, você não ganha um parceiro; ganha apenas um refém.
E refém não ama: só espera a primeira oportunidade para fugir. Nesta dança você se torna o sequestrador que sequestrou a liberdade, a individualidade e o desejo do outro para que não olhasse para seu próprio desastre. E sinceramente…todos somos um pouco desastrosos, mas olhar e fazer algo com isso é uma escolha que pode ter, tanto para que possa ter relações melhores com o outro e com si mesmo.
O medo de perder sempre irá residir quando ama-se alguém, mas pode deixar o medo determinar quando sua relação vai ser destruída ou elabora-lo para que possa viver melhor com seu amor.
Você já se pegou confundindo o medo de perder com o desejo de amar? Quais escolhas diferentes faria sabendo disso hoje?
Você não precisa descobrir sozinho, minha clínica está aberta para que agende sua sessão de psicanálise e possa fazer do seu medo uma nova forma de criação.